AVVA estreia AVVA Craft com oficina de arte floral conduzida por Cássia Mallmann em Florianópolis
A Wellness House propõe uma pausa no ritmo acelerado com experiência de atividade sensorial, autoconhecimento e degustação de vinhos da…
Em um casarão de 1913 no Centro de Florianópolis, a AVVA propõe um novo modelo espacial para o bem-estar, onde resgate cultural, preservação histórica e um design de interiores sensorial, sustentam a ideia de pertencimento
A AVVA ocupa um casarão histórico de 1913 no Centro de Florianópolis, mas o projeto não parte da lógica de adaptar uma academia tradicional a um edifício antigo. Desde o início, a proposta foi mais ambiciosa: imaginar um novo modelo de espaço dedicado ao bem-estar e conceber uma arquitetura que seja parte integral desta experiência.
Mais do que um lugar para treinar, a AVVA nasce como um ambiente de permanência. Um espaço pensado para desacelerar, encontrar pessoas e cultivar vínculos em um contexto em que arquitetura, corpo e cotidiano se encontram.
AVVA HOUSE: um espaço que convida à presença
Inspirado pelos conceitos contemporâneos de Wellness House e Third Space, o projeto parte da premissa de que os espaços de cuidado precisam ir além da função. Eles precisam criar atmosfera, acolhimento e pertencimento.
Para a arquiteta Beatriz Zeglin, responsável pelo projeto arquitetônico, o desafio foi transformar um edifício histórico em um espaço vivo, capaz de estimular encontros e experiências compartilhadas.
“O projeto se desenvolve a partir da ideia de criar um ambiente que acolha como uma casa, mas é aberto à convivência. Queríamos um espaço que favorecesse a experiência coletiva sem perder a sensação de conforto e intimidade”, explica Beatriz.
Essa intenção se materializa em um espaço que se posiciona na interseção do coletivo urbano, com a privacidade intimista.
A musculação se abre para o boulevard, o espaço de alongamento elevado dialoga visualmente com o pavimento inferior e as salas coletivas no mezanino mantêm janelas voltadas para o interior. Não há compartimentação rígida. Há contato visual constante. O espaço não é fragmentado por corredores, mas articulado por um eixo central de convivência.
Implantar esse programa dentro de um edifício histórico exigiu cuidado técnico. Neste sentido, a experiência da arquiteta Lilian Mendonça, especialista em restauração e conservação de prédios históricos, foi decisiva para a identificar o caminho a ser perseguido. A estratégia foi destacar a nova intervenção da construção original.
“O volume que define os novos espaços não encosta na edificação existente, mantendo as janelas da fachada com a mesma relação visual”, detalha Lilian.
No mezanino, aberturas direcionam o olhar para as treliças do telhado, que receberam iluminação específica para valorizar a estrutura original. A preservação não foi apenas formal, mas também espacial.
Para Mozart Rodrigues, fundador e idealizador da AVVA, o prédio carrega um significado especial. “Arquitetonicamente é um lindo casarão que retrata a beleza da colonização açoriana da ilha. Esses elementos nos remetem às nossas raízes históricas e foram inspiração para transformar a AVVA em um espaço dedicado à cultura e a um novo olhar sobre o conceito de bem-estar, mais integral e mais humano”, comenta. A arquitetura, portanto, não ignora o passado, mas o incorpora como uma camada conceitual do projeto.

Boulevard de convivência: o coração da comunidade AVVA
O boulevard é o coração dessa lógica espacial. Ele não funciona apenas como área de circulação, mas como elemento estruturante da proposta de valor da AVVA HOUSE.
“A AVVA é mais que um lugar para treinar, é um lugar para pertencer. Isso se desdobra na arquitetura através de um boulevard de convivência com ambientes de estar e copa central”, afirma Mozart.
A ausência de função rígida permite que o espaço seja apropriado antes, durante ou depois do treino. É neste espaço que as experiências e ativações culturais ocorrerão. É ali que a ideia de comunidade viva ganha forma física.
Design sensorial e arquitetura afetiva reforçam conexões emocionais
A materialidade reforça a conexão com a beleza natural da ilha e o senso de pertencimento. O piso monolítico em tom areia faz referência direta às praias de Florianópolis. “O revestimento resgata esse aspecto do território, reforçado pelo desenho orgânico característico do ambiente natural”, explica Beatriz.
Estruturas que mimetizam árvores com extensa biofilia criam pontos de respiro e constroem um ecossistema interno. Mozart complementa ao destacar o uso de granito rústico como referência aos costões rochosos da ilha. A paisagem deixa de ser vista apenas pela janela e passa a compor o interior.
A experiência aromática é mais uma camada da arquitetura sensorial. Com um aroma exclusivo com notas de green tea e lemon grass, todos os ambientes da AVVA trazem sensações de frescor, serenidade e leveza que convidam o corpo a desacelerar e a mente a respirar.
O conceito luminotécnico do projeto se distancia do estilo tecnológico e frio das academias tradicionais. A luz, predominantemente indireta e quente, cria uma atmosfera acolhedora e intimista convidando a permanência.
Forma, técnica e flexibilidade
A ruptura com o modelo tradicional de academia aparece também na linguagem formal. Formas arredondadas dominam o espaço: espelhos, paginação de piso, escada escultórica, sancas e paredes de acento seguem linhas orgânicas. Bancos paramétricos delimitam transições sem criar barreiras rígidas. O desenho evita quinas duras e estimula continuidade visual. “Utilizamos formas acolhedoras em todos os ambientes”, descreve Mozart.
Na área de treino livre, a solução técnica também traduz essa preocupação estética. Foi adotada uma camada dupla de piso: manta de borracha para absorção de impacto e, sobre ela, um revestimento sintético claro que mimetiza o carpete. A funcionalidade está resolvida sem recorrer à estética industrial típica desses ambientes. Ao contrário, a solução adotada reforça a experiência de acolhimento e a proposta central – uma casa de bem-estar.
Os equipamentos seguem a mesma lógica. “Não faria sentido manter a linguagem pesada padrão de academias comuns. As cores claras e o design mais leve ajudam a mimetizar com o espaço, construindo coerência e harmonia”, afirma Beatriz.
A escolha da linha Luxury da Technogym reforça essa intenção, dialogando com a paleta orgânica do projeto. A máquina deixa de dominar a cena e passa a integrar o conjunto.
Arte e design também são tratados como estrutura, não como adorno. O Boulevard de Convivência, assinado por Jader Almeida, designer de Florianópolis renomado globalmente, integra mobiliário autoral ao fluxo arquitetônico. “Na AVVA, arte não é tratada como decoração, é elemento central da experiência”, afirma Mozart Rodrigues.
A flexibilidade do projeto permite que o espaço receba ativações culturais, desfiles, degustações, meditação ou gravações de podcast sem necessidade de reconfiguração estrutural. A transformação faz parte da própria identidade do lugar. “O projeto se propõe a criar um local diverso, preparado para diferentes interações sociais”, afirma Beatriz.
Quando convidado a sintetizar o projeto, Mozart define a AVVA em três conceitos: arquitetura afetiva, design sensorial e filosofia wabi-sabi.
Na prática, isso significa um convite à permanência, à convivência e ao senso de comunidade. Propõe ainda que a beleza está no processo, na jornada consciente do bem-estar, e não na perfeição. A AVVA não parte da lógica do desempenho. Parte da lógica do vínculo. E, nesse caso, a arquitetura não é pano de fundo, mas sim o próprio argumento.
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